terça-feira, 7 de abril de 2009

Mais um dia

Nem tudo que se enfrenta pode ser modificado. Mas nada pode ser modificado enquanto não for enfrentado.
James Baldwin

Recebi a frase de uma amiga e fiquei pensando que é disso mesmo que preciso, enfrentar!
Enfrentar minhas angústias, meus medos, minha ansiedade e com isso não precisar compensar em nenhuma outra coisa, principalmente comida.

Hoje é o quinto dia de RA e estou me sentindo mais animada, depois de uma segunda brava. Os dias anteriores não foram fácil para mim, mas ontem acho que foi o pior, porque foi a primeira vez que conversei com a Ana, minha terapeuta, sobre minha decisão, minha ida ao VP, meus sentimentos.
Chorei muito...
Em meio a tantos choros, ela quis saber o porque de eu ter tomado a decisão de ir, se fui eu quem decidiu, e que achava ótima minha decisão.
Que seria dolorido, mas depois de algum tempo começaria a ver o que isso traria de bom para mim.

É engraçado como me sinto bem conversando com ela, como me sinto confiante e ao mesmo tempo como consegue me “desmontar”, desarmar.

Ontem ela disse algo que realmente é verdade, ali, naquela sala é um dos poucos lugares que me permito receber ajuda... que me permito admitir falhas, angústias, medos, anseios... porque fora dali a vida me mostrou que não posso contar com muita gente e que tenho de ser forte, tenho de aprender a lutar, vencer... e foi isso que sempre fiz. Por isso, é tão difícil e dolorido ter de assumir que sozinha não consigo, que preciso de ajuda. Mas eu vou enfrentar, esse agora é meu lema!

Sai da terapia, passei na minha vó para pegar o Ma, fiquei conversando um pouquinho com ela e fomos para casa. Dei banho no Ma, depois fiquei um pouquinho com ele no sofá e quando ia tomar banho o Ni chegou.
Bom, foi ele chegar e acho como estava com todo esse sentimento efervescendo minha cara não estava boa... e comecei a chorar...
Um choro cheio de dor.

Sei que é difícil para ele entender o que isso representa para mim, não é simplesmente decidir participar de uma reunião, mas passa pela privação, a contenção de desejo, o vazio sem preenchimento. Ainda em relação a ele, voltar a sentir-se desejada, amada.
Eu preciso olhar no espelho e me ver, coisa que hoje não acontece.
Aos poucos, vou aprendendo a lidar com tudo isso e a me reencontrar.
Enquanto isso não acontece de um jeito tão tranquilo, ele fez pipoca para mim (agora minha paixão é medida e com pouco óleo) junto com um bom peito para eu chorar...

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